Mercados
GRI 102-6

A Companhia atende clientes de pequeno, médio e grande porte, localizados nos cinco continentes e regionalizados nos seguintes mercados: Norte da África, Ásia, Américas, CEI, Oriente Médio, Nafta e União Europeia.

Com a integração de suas unidades de negócios no Brasil e na América Latina, a Companhia consolida sua flexibilidade para atuar em geografias diferentes, evitando restrições de mercado impostas a determinadas regiões. Essa vantagem competitiva favorece a obtenção de valor por meio das sinergias, capacitando a Companhia para atingir seu maior objetivo para o próximo ano: desalavancagem e geração de caixa.

Com uma forte estratégia de exportação, a Companhia está bem posicionada para atuar de forma cada vez mais assertiva no mercado mundial de proteína animal, integrando a atuação de diversas unidades de negócio na América Latina, região com boas condições naturais para a produção agropecuária, e a única do mundo com rebanho em expansão. A Companhia responde por aproximadamente um quarto das exportações latino-americanas, que têm crescido em relação ao conjunto das exportações mundiais.

O fortalecimento dessa estratégia de exportação passa pela constituição de uma rede de escritórios internacionais e pelo trabalho de uma área de Inteligência de Mercado que atua fortemente para buscar oportunidades em todo o mundo. Além disso, tal estratégia vem sendo favorecida, no Brasil, pelo cenário de desvalorização cambial.

Com 13 escritórios comerciais, a maioria no Oriente Médio e na Ásia, a Companhia procura aproveitar a vantagem estratégica trazida pela internacionalização. Sua rede de escritórios está preparada para ter uma atuação padronizada, ao mesmo tempo em que procura conhecer e atender as necessidades de cada país.

A carne no mundo

O mercado de proteína animal tem como principais países exportadores o Brasil, a Índia, a Austrália e os Estados Unidos, enquanto os maiores importadores são os Estados Unidos, a China, o Japão e Hong Kong.

Nas duas últimas décadas, o maior crescimento do consumo de carne foi observado na Ásia, com aumento de 70%, e no Oriente Médio, de 42%; a África, com 23% de aumento, e as Américas do Sul e Central, com 17%, também foram mercados com grande expansão. Já a CEI e a Oceania tiveram decréscimo no consumo desse produto (de -26% e -12%, respectivamente), assim como a União Europeia (-4%) e a América do Norte (-2%).

Athena Foods:
Em 2018, a receita bruta da Divisão Athena Foods, que compreende as operações das unidades produtivas no Paraguai, Argentina, Uruguai e Colômbia, e da distribuição no Chile, somou R$ 6,907 bilhões, resultado 81,4% superior ao apurado em 2017.

Mercado Externo:
Esse desempenho se traduziu em uma receita bruta de R$ 4,994 bilhões no ano, resultado 87,8% acima daquele alcançado em 2017.

Mercado Interno:
Assim, a divisão obteve uma receita bruta de R$ 1,914 bilhão no ano, resultado 66,7% superior ao de 2017.

Consolidada na América do Sul, a Companhia tem a Ásia e o Oriente Médio como principais mercados, atendendo também a União Europeia. No último ano, houve uma elevação significativa do volume exportado, e o objetivo é alcançar um crescimento ainda maior, pela diversificação dos canais de venda e pela padronização dos processos comerciais.

Para ampliar suas exportações, a Companhia foca em mercados de nicho, com a identificação de demandas e a oferta de produtos com valor agregado, bem como nos mercados emergentes. A partir de suas unidades na Argentina e no Uruguai, a Companhia vê a oportunidade de penetrar no mercado australiano, cujo rebanho foi afetado por condições naturais adversas nos últimos anos, além de expandir o posicionamento com a abertura dos Estados Unidos à carne argentina e a abertura do Japão à carne uruguaia, ambas ocorridas ao final de 2018. O acesso ao mercado chinês está potencializado pelas dificuldades da produção africana com a febre suína. Ademais, espera-se uma abertura da Indonésia e a reabertura dos Estados Unidos para a carne brasileira.

Assim, a Companhia aguarda 2019 com uma expectativa de maior acesso aos principais mercados consumidores do mundo, podendo aumentar sua base de clientes e diversificar as exportações por país.

Brasil
Com o maior rebanho da América do Sul e crescimento de 32% nos últimos dez anos, em 2018 a operação brasileira enfrentou o desafio da perda dos mercados estadunidense e russo, que suspenderam a entrada da carne produzida no Brasil. Para a Companhia, essa perda foi trabalhada com o incremento da exportação por unidades de outros países. Mesmo assim, a operação brasileira continuou elevando suas exportações, e recuperou parte do mercado russo. Tendo mais de 25% das exportações direcionadas para a Ásia e mantendo o percentual de 20 a 25% para o Oriente Médio, a operação mantém alto índice de produtividade em suas plantas.

O incremento da eficiência nas unidades industriais é um tema fundamental na operação, que ajudou a dar sustentabilidade para o negócio. Nesse sentido, o programa de eficiência Atitude Campeã veio permitir a troca de ideias e o benchmarking, fazendo o colaborador se sentir parte da empresa. Criado em 2016, o programa está em uma nova etapa, incluindo mais indicadores, como matriz energética, o que mostrou ótimos resultados: a Companhia produziu mais 5% em volume, e reduziu o uso de recursos disponíveis em 10% – ou seja, produziu com mais eficiência, e ainda observou o surgimento de oportunidade da venda de energia contratada.

O ano de 2018 foi positivo em termos de equipe, eficiência e sustentabilidade. Com o engajamento da equipe, a operação brasileira avançou na reflexão sobre sucessão, em diversos níveis, e na delegação de responsabilidades. A atenção para a eficiência deu maior relevância para os aspectos legais envolvidos nas atividades, com resultados positivos, por exemplo, nos índices de acidente, na utilização de equipamentos de proteção individual e nos investimentos em produtividade, o que se traduziu em economia e sustentabilidade. As questões de saúde e segurança são parte essencial do negócio, e a questão da negligência é tratada com severidade.

Do ponto de vista econômico e político, foi um ano de incerteza e de volatilidade cambial no Brasil, entretanto a Companhia soube trabalhar nesse cenário para explorar sua vocação exportadora. Com um importante investimento logístico em operações multimodais, foi possível alcançar 25% de embarque multimodal – utilizando trem e porto –, com ganhos logísticos e ambientais. A melhoria da operação portuária promoveu uma redução indireta de uso de energia elétrica e de emissão de carbono. Outra ação importante em 2018 no Brasil foi a separação da distribuição como negócio, o que gerou mais oportunidades e permitiu ao plano estratégico brasileiro crescer em produtos de terceiros, como pescado ou batata – que representam 35% de sua distribuição. Assim, a distribuição ganhou um novo papel: viabilizar rentabilidade para o negócio. Para 2019, a operação brasileira irá implantar o Programa de Eficiência de Carcaça. Ele permitirá medir o que se faz com cada tipo de animal na fábrica, elevando a eficiência e permitindo uma melhor precificação. Além disso, também trará maior assertividade na seleção do gado, de acordo com o objetivo e o mercado. A relação com o pecuarista propiciará ganhos, com o apoio de um estudo estatístico interno e externo independente, por meio de uma bonificação e de ações de fomento para esse público – o que incrementa a sustentabilidade da cadeia.

Paraguai
Paraguai é um mercado estratégico, uma vez que a carne bovina é um dos três principais alicerces da economia local, e a Companhia é a maior produtora e exportadora do país. Além disso, o cenário interno é promissor, com o aumento significativo de seu consumo interno de carne bovina, seguindo os índices macroeconômicos do país: de 2013 para 2017, o consumo per capita passou de 28 kg para 35 kg ao ano. O rebanho apresenta aumento, tendo crescido 36,5% entre 2001 e 2018.

A Companhia vem investindo em tecnologias para eficiência de produção e fortalecendo o engajamento com produtores para ampliar o rebanho do país, que tem estruturas de baixo custo e políticas de impostos simples. Com capacidade de abate de 5.400 cabeças de gado por dia, o equivalente a 37% da capacidade da Athena Foods, os frigoríficos da Companhia no Paraguai exportam principalmente para a Rússia e para o Chile (38% e 31%, respectivamente, em 2018), havendo uma expectativa de abertura do mercado da Europa e de Taiwan.

Argentina
Com um governo favorável à atividade industrial e o incentivo à exportação restabelecido, a Argentina apresenta um bom potencial de abertura para novos mercados e permite um valor interessante para o gado, tendo sua carne mundialmente reconhecida.

Em 2018, a alta do dólar acima da inflação foi benéfica para a Companhia, que ampliou em 3 pontos sua participação no mercado nacional. Com uma estratégia de rejuvenescimento da categoria e da marca, a Swift Argentina lançou o primeiro hambúrguer caseiro para o mercado interno, além de criar o programa de gold marketing, que aproximou o consumidor do produto, com 35 mil pontos de venda. Assim, foi possível passar o conceito não apenas de uma indústria processadora de carne, mas de uma empresa que oferece alimento para as famílias. A perspectiva da Companhia é elevar seu crescimento e oferecer produtos de qualidade, focando na necessidade do consumidor.

O último ano exigiu disciplina na gestão de custos das operações argentinas, restringindo gastos não operativos e atenção ao desperdício. Em um período crítico do mercado nacional, no qual o consumidor apresentou um menor poder de compra, a estratégia foi fazer uma análise para identificar o maior custo no processo, além de rever controles internos. Essa ação foi importante para ganhar competitividade e para criar uma cultura de gerenciamento de custos.

Um importante desafio do último ano foi a consolidação do processo de integração do produto industrializado, estabelecendo-se os mesmos critérios para todas as plantas. Com a criação da unidade de negócio in natura e industrializados, a Companhia conseguiu alavancar um crescimento orgânico de 6 mil t/ano.

Chile
O Chile tem um consumo doméstico maior do que sua produção, buscando suprir o crescimento dos últimos anos por meio de importações. Com uma projeção de aumento do produto interno bruto (PIB) de 3,4% para 2019, e um PIB per capita elevado para os padrões latino-americanos, o mercado chileno oferece boas oportunidades. Próximo aos principais produtores de carne bovina da América do Sul, o país oferece também um acesso aos mercados mais rentáveis: Estados Unidos e Japão. Para aproveitar todas essas condições, a Companhia mantém canais estruturados no mercado doméstico, podendo realizar a segmentação dos preços.

Uruguai
Com um consumo per capita de 48,6 kg de carne ao ano, o Uruguai tem passado por dificuldades em sua economia, após muitos anos de crescimento. Em 2018, suas exportações de carne caíram, o que afetou o volume de atividade dos frigoríficos da Companhia no país. Apesar desse cenário econômico menos favorável, o país tem um rebanho capaz de atender a mercados mais rentáveis (como o Nafta, a União Europeia e o Japão), sendo livre de febre aftosa e apto a oferecer produtos de nicho, como os orgânicos.

A Companhia sustentou suas atividades no Uruguai, em 2018, trabalhando de forma assertiva e estreitando cada vez mais, o relacionamento transparente estabelecido com seus fornecedores.

A Athena Foods sabendo dos desafios a serem enfrentados, vem realizando esforços focados na melhoria da eficiência operacional.

Eficiência operacional é algo intrinsecamente ligado à saúde e à segurança nas plantas, e também à sustentabilidade, um tema que cresceu em toda a Companhia e que se torna fundamental nas operações do Uruguai. Assim, ganham importância não apenas as iniciativas operacionais de aumento da eficiência e redução de custos, mas todo um trabalho de conscientização junto aos colaboradores, que a Companhia deve começar a colher os frutos já no próximo ano.

Para garantir sua atividade, a indústria frigorífica trabalha com dois públicos fundamentais: colaboradores e fornecedores. O fornecedor de gado é um parceiro essencial da Companhia, que se empenha para manter um relacionamento estreito com esse grupo, inclusive por meio de um departamento dedicado a apoiá-lo e a construir laços de confiança.

Para 2019, as expectativas das operações no Uruguai são de estabelecer uma parceria com países asiáticos, produzindo para o Japão e o Catar, aumentar o plano de carne orgânica nos Estados Unidos e na Suécia, e conquistar os importantes mercados da Arábia Saudita e da Malásia. A Companhia está sempre em busca de novos tipos de produtos – porções controladas, produtos resfriados –, procurando chegar aos supermercados, o que se reflete na melhoria de toda a estrutura mantida no Uruguai.

Colômbia
A pecuária da Colômbia tem grande potencial de expansão, sendo os aspectos nutricionais e de manejo as principais oportunidades de melhoria, com a possibilidade de obter avanços significativos. Abrigando um rebanho de boa qualidade de raça e porte similar ao da Austrália (aproximadamente 23 milhões de cabeças), o país tem como mais importante desafio a adequação sanitária, pois a febre aftosa ainda afeta os animais, o que restringe a exportação.

Cerca de 97% da produção de carne colombiana atende o mercado interno, considerado informal, se comparado ao cenário de outros países da região. Com um consumo per capita de carne bovina de 15 kg ao ano, abaixo do padrão latino-americano, esse mercado é visto como uma oportunidade pela Companhia, dado seu potencial de desenvolvimento.

As exportações do país, embora pequenas, contam com condições interessantes para sua ampliação, como o acesso aos oceanos Pacífico e Atlântico – situação única na América do Sul – e a participação de acordo de livre comércio com os Estados Unidos. Para isso, é fundamental recuperar o status de livre de febre aftosa com vacinação perante a Organização Mundial de Saúde Animal.

A Companhia está bem posicionada para atuar de forma assertiva no mercado mundial de proteína animal, integrando a atuação de diversas unidades de negócio na América Latina.

A Companhia é a maior exportadora da Colômbia, sendo responsável por 75% de suas exportações – participação relevante sobretudo nos mercados da Rússia e do Oriente Médio – e por 6% do abate realizado no país. Esses números constituem recordes, alcançados por meio de um trabalho, no último ano, de consolidação das obras de expansão em capacidade e otimização da produção. Assim foi possível, além de aumentar o mercado da Companhia, consolidar sua marca e organizar uma agenda institucional voltada para o fomento das exportações e para a abertura de mercados.

A ocorrência de febre aftosa no rebanho impôs uma reorganização da produção e dos destinos dos produtos, e a Companhia vem trabalhando fortemente para superar esse desafio, inclusive em uma agenda conjunta com o Governo da Colômbia. Isso permitiu que os mercados do Oriente Médio não se fechassem, e que o mercado russo pudesse ser recuperado em um curto período de três meses, mostrando que o desempenho no controle e monitoramento da doença cumpriram todos os quesitos. A Companhia oferece apoio à recuperação do status sanitário do país e para manter a diplomacia sanitária com os demais países, visando à abertura de seus mercados.

Os bons resultados alcançados em 2018 pela operação colombiana, diante dos desafios que se impuseram, são fruto de um trabalho determinado da equipe, a qual conseguiu consolidar a Companhia e sua marca como líderes do setor no país, com apenas uma planta em operação.